Estava com uma parte da música Lolita, de Joao Vinicius, meu companheiro do Coletivo Muito Barulho Por Nada (www.coletivomuitobarulhopornada.blogspot.com , se não conhece clica no link!) que é "a noite não acaba, a noite não tem fim..." e pensei em escrever sobre como sao as coisas à noite, quando está é intermininável (pois a crase muda sim o sentido)
Tenho dormido mal
Um sono inquieto se deita comigo
Na cama vazia
Onde um braço morno, ou quiçá quente deveria estar
Mas não está
A inquietude é fria
E está sempre na cama vazia
Mexo de lado a lado
Levanto e me falta o pranto
Ou o canto, ou um canto
Doce ou em noventa graus
Um angulação reta
Da minha vontade que se faz
Ereta
De dormir coberta, aberta, quieta
sábado, 19 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Meu amante réptil
Uma história tão fantástica que só podia ser verdade (ou quase)
Eu o vi e não parecia nada mal. Ele tinha uma textura diferente na pele, isso era bem verdade, não era suave como deveria ser a de um jovem como ele, ao contrário era um pouco áspera e rugosa, mas preferi fingir não perceber. Seus olhos eram de um verde amarelado, e eram hipnóticos, e ele sabia bem disso.
Mas tola que sou não pude me afastar, e me aproximei mais e mais, como se envolvida por uma teia de aracnídeo. Com tempo, fui me tornando insensível a sua pele estranha, a seus olhos amarelos e loucos. Tudo tornou-se normal, como se ele normal fosse. Mas que engano cometi...
Deitávamos-nos muitas noites, e nessas horas não havia sinal algum de caráter reptiliano, o sangue era quente, morno, mas não frio. Todavia, a noite tinha varrida sua escuridão pelo dia, e tudo que a escuridão bem escondia, era revelado na luz da manhã. Os olhos, aqueles olhos fundos, graúdos, amarelos, amarelos, como de uma serpente.
Era um inferno muitas vezes, estava tudo sempre a metamorfosear-se entre nós, quando achava que o tinha bem, ele já estava mal, e eu nunca sabia o que fazer, pois pouco dele eu conseguia mesmo compreender e capturar. Tinha a impressão de que ás vezes ele se havia camuflado, ou até mesmo se escondido na bagunça de meu quarto, na bagunça de mim mesma, como se houvesse se entranhado bem fundo em mim, que já era parte minha, e só minha. Aquela parte que tem o dispositivo da autodestruição, vim descobrir depois.
Um dia, fomos dormir, e quando acordei, não era um homem que se quedava mais ao meu lado, com a cabeça encostada em minha clavícula esquerda. E sim um pequeno camaleão, verde, de pele rugosa e áspera, e olhos amarelos arregalados que se deitava sobre meu antebraço.
Pois eis que isso aconteceu, um amante réptil.
Eu o vi e não parecia nada mal. Ele tinha uma textura diferente na pele, isso era bem verdade, não era suave como deveria ser a de um jovem como ele, ao contrário era um pouco áspera e rugosa, mas preferi fingir não perceber. Seus olhos eram de um verde amarelado, e eram hipnóticos, e ele sabia bem disso.
Mas tola que sou não pude me afastar, e me aproximei mais e mais, como se envolvida por uma teia de aracnídeo. Com tempo, fui me tornando insensível a sua pele estranha, a seus olhos amarelos e loucos. Tudo tornou-se normal, como se ele normal fosse. Mas que engano cometi...
Deitávamos-nos muitas noites, e nessas horas não havia sinal algum de caráter reptiliano, o sangue era quente, morno, mas não frio. Todavia, a noite tinha varrida sua escuridão pelo dia, e tudo que a escuridão bem escondia, era revelado na luz da manhã. Os olhos, aqueles olhos fundos, graúdos, amarelos, amarelos, como de uma serpente.
Era um inferno muitas vezes, estava tudo sempre a metamorfosear-se entre nós, quando achava que o tinha bem, ele já estava mal, e eu nunca sabia o que fazer, pois pouco dele eu conseguia mesmo compreender e capturar. Tinha a impressão de que ás vezes ele se havia camuflado, ou até mesmo se escondido na bagunça de meu quarto, na bagunça de mim mesma, como se houvesse se entranhado bem fundo em mim, que já era parte minha, e só minha. Aquela parte que tem o dispositivo da autodestruição, vim descobrir depois.
Um dia, fomos dormir, e quando acordei, não era um homem que se quedava mais ao meu lado, com a cabeça encostada em minha clavícula esquerda. E sim um pequeno camaleão, verde, de pele rugosa e áspera, e olhos amarelos arregalados que se deitava sobre meu antebraço.
Pois eis que isso aconteceu, um amante réptil.
Uma análise forense do amor
A imperícia de meus sentimentos
Me consome demais o tempo
Vou me perdendo por aí
Nos braços daqueles cujo olhar me sorri
Falta tanto o discernimento
Mas não sei resistir aquele momento
De penetração de olho
De toque de mãos
De ondulação de quadris
E mais ainda daquele olhar que me sorri
Me desculpe se não foi apropriado
Mas meus sentimentos são sem perícia
De meus dedos fluem carícias
E na hora propícia
Eu me silencio
Me consome demais o tempo
Vou me perdendo por aí
Nos braços daqueles cujo olhar me sorri
Falta tanto o discernimento
Mas não sei resistir aquele momento
De penetração de olho
De toque de mãos
De ondulação de quadris
E mais ainda daquele olhar que me sorri
Me desculpe se não foi apropriado
Mas meus sentimentos são sem perícia
De meus dedos fluem carícias
E na hora propícia
Eu me silencio
terça-feira, 1 de setembro de 2009
poemas falsos
Após um hiato...
Ovulação
Queria saber dizer as coisas diferente
Mas não sei
Tanto sangue nas minhas têmporas, quentes
Que não passa para os meus dedos, frios
Meu estômago, vazio
Porém, um coração, contente
Aurora
As luzes frias do inverno
Caminham por minhas mãos
Tenho medo de fechar os olhos
Para não mais despertar
A brisa cálida noturna beijou minha orelha
E eu, eu adormeci embaixo da janela
Com meus dois olhos abertos
Ovulação
Queria saber dizer as coisas diferente
Mas não sei
Tanto sangue nas minhas têmporas, quentes
Que não passa para os meus dedos, frios
Meu estômago, vazio
Porém, um coração, contente
Aurora
As luzes frias do inverno
Caminham por minhas mãos
Tenho medo de fechar os olhos
Para não mais despertar
A brisa cálida noturna beijou minha orelha
E eu, eu adormeci embaixo da janela
Com meus dois olhos abertos
terça-feira, 21 de julho de 2009
Uma carta
Meu querido, quis te odiar. Até achei ter odiado você, sei que não foi isso que você me pediu, você me pediu que te esquecesse. Mas achei que te odiar fosse ser mais fácil, o caminho mais simples, mais provável, após tudo e tanta coisa, após todos os seus nãos em réplica a todos os meus sims.
Mas nao consigo te odiar, tentei. Raiva, ah, sim, senti muito, uma ira, uma fúria. Me senti uma própria Fúria, querendo buscar alguma justiça e sentença que se adequasse a seu delito. Mas seria cruel demais, porque você foi cruel demais. Tantas palavras proferidas em com vilania e perversão. Teria medo de mim...muito medo.
Mas assim como um uma placenta foi feita para um feto, eu não fui feita para o ódio. Não digo isso para gabar-me de virtudes, é simplesmente fisiológico, meu corpo tem repulsa pelo ódio, ele fica inflamado, infeccionado, infecção essa que se espalha rápido, pro meu coração, quase uma endocardite. E a mim, me bastam minhas doenças imaginárias de uma leve hipocondria.
Quero dizer, sendo redundante, eu sei, que não posso odiar você...
Mas te conheci, você existiu, nós existimos...talvez você me odeie, talvez não...porque, como já dizia Guimarães Rosa, "Só se pode conhecer um outro, sem perigo do ódio, se a gente tem amor". Eu tenho amor, sou ele, da cabeça os pés, e talvez por isso seja um pouco louca, pois minhas duas metades o são, portanto não sei odiar quem me arrisquei a conhecer.
obs: Influências
Oswaldo Montenegro
Guimarães Rosa
Novos Bahianos
Mas nao consigo te odiar, tentei. Raiva, ah, sim, senti muito, uma ira, uma fúria. Me senti uma própria Fúria, querendo buscar alguma justiça e sentença que se adequasse a seu delito. Mas seria cruel demais, porque você foi cruel demais. Tantas palavras proferidas em com vilania e perversão. Teria medo de mim...muito medo.
Mas assim como um uma placenta foi feita para um feto, eu não fui feita para o ódio. Não digo isso para gabar-me de virtudes, é simplesmente fisiológico, meu corpo tem repulsa pelo ódio, ele fica inflamado, infeccionado, infecção essa que se espalha rápido, pro meu coração, quase uma endocardite. E a mim, me bastam minhas doenças imaginárias de uma leve hipocondria.
Quero dizer, sendo redundante, eu sei, que não posso odiar você...
Mas te conheci, você existiu, nós existimos...talvez você me odeie, talvez não...porque, como já dizia Guimarães Rosa, "Só se pode conhecer um outro, sem perigo do ódio, se a gente tem amor". Eu tenho amor, sou ele, da cabeça os pés, e talvez por isso seja um pouco louca, pois minhas duas metades o são, portanto não sei odiar quem me arrisquei a conhecer.
obs: Influências
Oswaldo Montenegro
Guimarães Rosa
Novos Bahianos
Das tripas, o coração
Eu choro enquanto ouço o vidro estilhaçando no chão
Pisando nos cacos, lascando a sola dos pés
Caminhando
Páro e me deito, rolando pelo vidro
De copos, garrafas e jarros
Que caem e quebram, em pedaços e pedaços
Que rasgam meu ventre
E dilaceram minhas vísceras
Intestinos, miocardio
Enquanto me colo toda de novo
E faço das tripas, o coração
Pisando nos cacos, lascando a sola dos pés
Caminhando
Páro e me deito, rolando pelo vidro
De copos, garrafas e jarros
Que caem e quebram, em pedaços e pedaços
Que rasgam meu ventre
E dilaceram minhas vísceras
Intestinos, miocardio
Enquanto me colo toda de novo
E faço das tripas, o coração
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Pretty Girls Are Never Lonely
Ele me disse para ir embora logo nos primeiros minutos da manhã, mal acabara de despertar daquela noite febril. Ele estava indiferente, fumando um cigarro, enquanto eu ainda estava deitada sob os lençóis. Estava com uma enxaqueca de merlot. Merlot! Como se oferece merlot a alguém? Já era de se esperar que algo assim acontecesse...Enquanto me vestia, coletando as roupas espalhadas por todos os cantos do quarto, começamos a discutir; ele a me apressar, e eu, emputecida que estava, e como estava!, demorava, só para aborrecê-lo ainda mais, afinal, ele teve seu prazer ontem, eu, não, portanto não poderia negar-me essa sutil e culposa liberação de endorfina, seretonina, e não sei o que mais-ina, podia sentir pequenos espamos até, justo agora. Antes de ir, com os sapatos de salto nas mãos, olhei para trás e disse:
-I'm a pretty girl, Carlos. And pretty girls are never lonely.
-I'm a pretty girl, Carlos. And pretty girls are never lonely.
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